domingo, 31 de outubro de 2010

Banho de Bicho



Vou limpar o meu dentro

Jogar fora de mim tudo que excede

O que borbulha, o que transborda, enfim

O que me faz ser levado via vento.


Vazio estando,

Limitarei certas bobagens

Como esse modo, esse escrever...

Que trazem inquietação

E nenhuma vantagem!


Entender e ser satisfeito,

Ser tranquilo, ser comum, ser direito


Sem letra, sem ritmo, sem intuição, só ditas palavras.

Com emoção no exato tempo.

Mas ter o cartesiano a qualquer momento!


Não ficar mais por ai quieto

E também gritando,

Arrumando as palavras

E depois as trocando.


Escolherei as partes e não todo,

Verei o certo e não torto,

Entre um ser o objetivo, e não o outro.


Só assim levarei a vida mansa e sonhada...

Tão comum e cheia de gente...


Serei igual e indiferente

Para coisas que todos vêem...

E eu em singular hoje sinto!


Darei lugar à razão

Que nunca me visitou como se deve.


Escrever o técnico, o objetivo e sem defeitos...

Ser o que esperam de mim,

Um bicho contido, racional e perfeito.

Tainara Coutinho

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Dicionário!


Quero o comum

E o particular,

Escrevo coisas comuns

Quando penso em algo singular.


Faço do significado de outros,

Semelhante ao meu.

E o leio os deles, daqueles e seu...

Dando o sentido do meu eu


Minha propriedade

Alegria, tristeza...

Universal não se faz.

Não consigo o impessoal jamais.


Quero os detalhes de todos

Não quero que limitem os meus

Quero todo de outros

Não quero entendam pedaços do meu


Comigo, tempo seu, contigo, lugar meu.

Pronome, posse, interpretação e mais...

Mal entendido,

O que deveria ser dito?

Adjetivo ou substantivo?


Pedaço, completo...

Prosa e verso.


Vou definir, fotografar.

Criar um objeto só de falar...


Brotando da minha boca com a definição

Coisa, forma, cor... Tinta!

Como uma receita ser a seguida.


Puro, concreto

Com passado, presente...

Sem qualquer contexto ausente.


Definindo assim

Preocupação não há...

Com tom,

Com o gesto, com a mão.

Falarei com palavras e pronto.


Serei mudo.

Mil imagens por cada palavra.

Livre de qualquer ambiguidade.


Haverá clareza no meu tema,

Será única a interpretação desse poema.


Um dicionário, em verso, não subjetivo.

E sem razão de ser lido.

Tainara Coutinho

terça-feira, 15 de junho de 2010

Páginas em branco.


Seja por falta de tempo ou por não imaginação literária, o fato é que hoje a escassa criação textual tem me preocupado. E embora saiba e tenha total consciência de que qualquer autor - e digo qualquer, pois quando falo de mim refiro-me ao tipo mais medíocre - possui seus momentos que variam do apogeu literário à ausência total de produtividade, ainda sim me preocupo. Contudo, não é algo que possa tirar o sono, até porque ando cansado demais para isso.

Em minha vida nos períodos que antecedem a esse, existia entre mim e esse “mundo literário” uma suposta harmônica relação que de tão poderosa se fazia, era capaz fazer-me sentir diferente, fazer-me sentir apto a criar. E se no seu planeta Terra gerar o novo não algo é significativo, no meu ao contrário é de grande importância, pode trazer a tão sonhada identidade.

Existe uma grande diferença entre o leitor-leitor e o leitor-escritor que vai além de status passa por uma maior compreensão, e eu ousaria dizer uma “compaixão textual”.

Talvez seja essa a justificativa de minha insistente preocupação, sendo devida parte pelo medo de torna-se um ex-escritor - um "cidadão comum"-, parte por não possuir mais o passaporte que me leva para o mágico “mundo literário”.

Tainara Coutinho

sábado, 12 de junho de 2010


Como, meu Deus, tu podes fazer um ser tão sentimental quanto eu?

Que se faz feliz tão rapidamente...

E se entristece subitamente.


Se outra vida de fato existir...

Por favor, mais apático me mande!

Essa vida sentimental corrida demais é.


Por isso peço trégua!

Dê-me menos sentidos...

Aflições ou felicidades,

Ou faça sentir apenas por mim.

Tainara Coutinho

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Necessidades de um poeta


Para se interpretar bem um poeta é necessário sentir...

Para se decorar bem um poema é necessário entender...

E para se ler bem um poema é necessário escrever...


As rimas ajudam a criar esse mini quebra cabeça

Mas não são o todo.

Coitado de nós, poetas sem rimas se assim não fosse.


Para se fazer um bom poema é necessária certa timidez...

É necessário ter a necessidade de se expressa de uma outra forma

Para ser um bom leitor de poemas é necessário não conseguir expor o todo...

E buscar o todo no poema ao lado


Todo bom escritor de poemas é um bom leitor de poemas

E quase todo bom leitor é um bom escritor de poemas


Es então, a paixão pelas palavras não ditas

Pelo identificar-se...

Pelo sofrimento e felicidade alheia


E por fim, para ser um bom poeta e leitor é necessário sentir...

Sinta, sinta, sinta...

Sintam mais que todos...


E depois sinta mais um pouco...

E só depois sinta!

Tainara Coutinho

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Preciso me encontrar


"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar..."


Candeia

domingo, 2 de agosto de 2009

(...)




“A condição do maravilhoso tá no concreto” (Provérbio Hindu)



Sem título


Entre a ciência e arte

Vivo cada palavra e rima...

Teletransporto para qualquer ambiente escrito


Imagino, crio, vivo e sinto

Respectivamente!


Vivo a letra de música que escuto...

Vivo a lida melodia...

Vivo o que ela conta...

Mesmo instantaneamente!


Dou um fim a uma história..

E aposto o início da próxima.


Vivo o mundo,

Mas não o vejo

E ainda assim, o abraço com as pernas.


Gosto desses extremos

E por ele me faço...


Gosto da overdose que a ciência me proporciona

Do cansaço que ela dá minha mente viajante

Gosto do tudo ou nada!


E assim vem se fazendo minha vida

Sem conclusão de texto ou ação

Sem glórias ou prêmios


Simples, imaginada e sutil...

Com muito e pouco ao mesmo tempo.

Tainara Coutinho