quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Receita


Como toda boa receita, começarei com o verbo no imperativo. Mexa-se! Por favor, mexa-se! Não se iluda com as luzes e cores, pois elas ultimamente são pasteis e opacas. Jamais deixe que o despertar, o jantar e a suas relações se tornem rotineiras. Sim, tome bastante cuidado com isso! Pare, pense e analise, o quando uma doença, um namorado ou namorada nova, ou talvez um fim de semana no campo esteja virando uma trama ou algo tão surpreendente que seja capaz de ser uma das únicas razões que te faz feliz hoje.

Então, afinal o que eu quero que você, me caro leitor, faça? Simplesmente olhe as coisas de uma forma diferente, mas um diferente singular. Não peço que veja a luz no fim do túnel ou que descubra a felicidade, só quero que crie seu mundo virtual. E se nele for necessário viver no escuro, apague as lâmpadas. Sinta o vento e feche os olhos, imagine o todo e suas relações, seja intuitivo e criativo.

Antes que pense nisso eu aviso, não, definitivamente essa não é uma receita para se quebrar padrões, pois é impossível viver longe deles quando se tem um mundo real. Padrões existem e devem ser seguidos, mas somente quando se é observado caso contrário enlouqueça, projete-se em outra dimensão diferente do palpável. Imagine a música sem som, a fotografia sem o olhar, não sinta o gosto da comida, perceba o mundo além dos seus sentidos. O real tem se tornado patético por isso navegue na sua rede, e veja que ela tem mais informação do que imagina hoje.

Tainara Coutinho

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vida Boêmia!



Necessito sim, nesse exato momento de livra-me daquele menininho. Já é tarde, porém é mais que preciso discutir minha relação com o papel e a caneta.

Falemos então, sobre algo que tanto tem me impedido de escrever poemas e crônicas nesses últimos meses, a vida boêmia, a grande vilã de qualquer produtividade.

Do amanhecer no almoço, do almoço no lanche da tarde, do lanche da tarde no jantar e do jantar em nem sei a hora! O despertar é talvez a maior virtude da boêmia, seu apogeu. Limitá-lo, é o primeiro sinal que a vida não anda lá essas coisas. Por isso não abram as cortinas, não há belo sol que pague horas de sono.

Mas não é só de sonecas que se faz um boêmio, é preciso ter amores. Não importando é claro, o seu estado. Uma pessoa que se preze apaixona, desapaixona, ama e implora infinitas vezes, mesmo que nem sempre vivendo em um conto de fadas. Afinal, tristeza faz parte, ela nos inspira. E é um bom motivo para bebedeiras, pois a não há nada mais piegas e elegante do que chorar e cantar por um amor que se foi.

Viva aos extremos, o chamado tudo ou nada. Jamais se preocupe algum tempo depois a vida social irá voltar os jogos, as mulheres e a música. Bendita seja boêmia!

(...) Menti, sou nada mais nada menos que um pequeno cidadão comum que faz todo o inverso de cima. E somente a música, que traz o primeiro acorde desde estilo de vida, o resto à imaginação toma conta na mais perfeita desordem. Logo após, volto novamente a ser aquele garotinho que culpa a boêmia por sua não produção literária. Maldita Boêmia!

Pseudônimo: Bruno Goslar

Tainara Coutinho



terça-feira, 16 de junho de 2009

domingo, 31 de maio de 2009

Carta ao Tom


"Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando prá Elizete
as canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz, ai que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
este Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
e além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
é preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor"


Toquinho e Vinicius de Moraes

quinta-feira, 26 de março de 2009

Lágrimas da Alma.

Tentar enxergar a própria alma

É sinal que o sublime é cárcere...

Loucura profunda se torna

Quando procuras a resposta dentro de si


Pelo próximo momento...

A alma sente falta

De algo rotineiro

Que se desfez tão ligeiro no ar...

Razões são buscadas

Pela sua insistência.


No Preto ou no colorido de seu pensamento

Viver sem cor fica

Branco então, tudo se transforma...


Mergulhar nas drogas talvez seja a solução...

Mas ninguém tomou uma overdose de felicidade

(...) Pelo menos ninguém chegou ao céu com esse sintoma!


E então, tristeza mais perto fica...

Viver longe dela é viver

Porém, vencê-la plenamente é morrer...


Pois quando o duelo não existe mais

A alma entra em sinfonia com o céu

O humano necessita da vitória e da derrota desse complexo sentimento

Em seus momentos vividos


E aqui jaz mais um louco...

Acreditando ser a sua derrota eterna

Preferindo apatia á luta.


Logo com sua alma morta,

Caminhar perde o sentido...

Paras de caminhar, viras um morto - vivo.

Deixando a insanidade transparecer

Em sua feição ruim...


E a caneta, cuja tinta acabou...

Enquanto transcrevia este poema

Torna-se mais primordial que seu pobre viver!


Buscar Brancas justificativas

É feri-se, ferir ao seu mundo

E aquele vira mesmo sem você!

Tainara Coutinho

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ao Longe os Barcos de Flores

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranqüila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

Camilo Pessanha

segunda-feira, 2 de março de 2009

Simples 18 anos!


Com malas prontas ou não, essa noite realizei uma viagem. Confesso que minha bagagem nem se compara com a do meu pai, só algumas camisas e cuecas no fundo da bolsa. Nem aeromoça muito menos comissária de bordo que pela manhã, ainda que nem abrisse os olhos direito, me informou que eu havia chegado ao meu lugar de destino. Foi a minha mãe que cantou aquele caloroso e agudo parabéns. Hoje completei 18 anos, e essa viagem não tem mais volta.

Minha consciência me informou que já não me cabe mais gracinhas nem caprichos. Se estou pronto?! Isso já não é mais discutível. O meu tempo passou, e as responsabilidades são tantas que eu não quero nem lembrar. Dezoito anos e eu ainda nem respondi minhas próprias perguntas. Ocupei meu tempo com brincadeiras que de certa forma fugiam das repostas.

Não sei em que sou bom ou ruim, não virarei cientista hoje ou talvez dia nenhum. A única coisa que realmente sei é a minha idade, que não para de ser lembrada por mim mesmo. Até agora não constitui família, nem mulher pra casar eu tenho, talvez um dia terei ou morrerei solitário, quem sabe?!

Informações eu tenho de sobra, mas ainda não me tornei um homem. Se eu tivesse que conceber-me um adjetivo seria “frangote”.Determinação eu tenho, só não sei onde usar.

“ O senhor que nada sabe sobre a vida”, eu mesmo, refletiu essa manhã sozinho sobre o tempo, sem nenhuma resposta lógica, mas seguindo um raciocínio que não tem nada de filosofia pelo contrário tem muito de senso comum.

Não estou triste por crescer, mas sim por ainda não estar pronto para enfrentar o mundo.

Eu, a autora, ainda não completei 18 anos. Isso é coisa daquele meu pseudônimo que vive por perturbar a minha imaginação, mas conto com ansiedade e insegurança os meus 30 dias restantes para enfrentar o mundo.

Pseudônimo: Bernardo Goslar

Tainara Coutinho

16/05/2007